NOVA FCSH | Lisboa | 19 a 21 de Jan 2022

TEMA DO XII CONGRESSO SOPCOM

Comunicação & Disrupção

Desafios culturais, societais e tecnológicos


Numa era de fragmentação da esfera pública, transformada por fluxos de informação contínuos e fomentados pelos media sociais e digitais, importa repensar a complexidade do fenómeno comunicacional de modo multidimensional e interdisciplinar.

No seu emblemático livro Media Life (2012), Mark Deuze chamava a atenção para a ubiquidade dos media na vida quotidiana – já não vivemos apenas com os media, mas sobretudo nos media. Na apreciação das atuais relações entre media e sociedade, vários autores (Couldry e Hepp, 2017; Hepp e Hasebrink, 2018) destacam que a contemporaneidade experimenta uma mediatização profunda, uma remediação digital que marca todos os processos de comunicação. Cinco elementos dessa mediatização profunda são destacados pelos autores: a convergência e a diferenciação dos media, a sua ubiquidade, um ritmo intenso de inovação e os processos de dataficação. Com a proliferação das redes sociais digitais, o cenário social veio complicar-se ainda mais, pelo que a perspetiva de mediatização profunda se aproxima da consideração de Hartmut Rosa (2010) de que as tecnologias avançadas e os processos de dataficação tendem a colidir com velhos conceitos clássicos como liberdade e autonomia. Para Rosa (2013, 2015, 2019), novos conceitos emergentes, como de ressonância e aceleração do tempo e da técnica, podem ser pensados, no limite, como “uma nova forma de dominação totalitária”, conduzindo a uma perda da possibilidade de autonomia prometida pela modernidade.

Hoje, os temas da diversidade e da pluralidade das expressões culturais no atual contexto digital estão a levantar novos problemas, distintos dos identificados aquando da migração do campo dos media clássicos para o online. Se com os media tradicionais imperava uma lógica de fechamento sobre o “mesmo”, o digital veio não só colocar a possibilidade da “apoteose do sonho da diversidade” (Curran, 2008), mas trouxe também tensões complexas entre a ciência social e a ética, por um lado, e as possibilidades imensas da robótica e da inteligência artificial. No campo da comunicação, os efeitos deste conflito convergem para sistemas de disseminação da informação de base algorítmica, associados também a formas de monitorização e de vigilância de comportamentos. Esses processos de disseminação de conteúdos contribuem também para a crescente polarização e radicalização na esfera da política. Estas e outras questões servirão como fio condutor de um congresso cujo modus operandi pretendemos que seja inovador em relação ao modelo convencional dos encontros científicos, apostando na ligação, na convergência e no diálogo entre as diversas áreas do saber.