NOVA FCSH | Lisboa | 11 a 13 de abril de 2022

RESUMOS SOPCOM – DI III – JTD

Disrupção Informacional III: Jornalismo e Tecnologias Digitais

Estratégias narrativo-visuais de simulação contextual no Jornalismo de Dados: um estudo de caso no jornal Público Milton Cappelletti (IADE-UE)

O Jornalismo de Dados tem-se consolidado como uma prática recorrente nos meios de comunicação ao permitir contar uma história complexa, orientada a dados, a partir de diferentes tipos de visualização de informação. Uma dimensão emergente deste tipo de narrativas envolve o que chamamos de simulações contextuais, que constituem estratégias narrativas baseadas na avaliação de dados simulados para determinar os fatores que são mais influentes para um determinado sistema ou curso de ação. No contexto da pandemia do novo coronavírus, as simulações assumiram um papel crítico ao informar e ajudar os leitores a criar empatia sobre questões relacionadas à covid-19, como o distanciamento social e a etiqueta respiratória. Desta maneira, as simulações deixaram de ser instrumentos dos cientistas e foram incorporadas às narrativas dos meios de comunicação de forma a contar ou recriar histórias. Já não se trata apenas de criar gráficos ou infografias como produtos do Jornalismo de Dados, mas de produzir uma história com diferentes tipos de visualização de informação para aproximar os leitores aos dados. Construir simulações envolve o desenho de interfaces a partir de elementos técnicos provenientes de disciplinas como o User Experience, Design de Interfaces e Data Visualization, o que representa um rico campo de desafios e oportunidades transdisciplinares para o Jornalismo Digital. Este artigo tem como objetivo a discussão de estratégias de simulação contextual utilizadas pelo Jornalismo de Dados para contar histórias. Neste sentido, utiliza como objeto de estudo uma série de reportagens hipermédia do Jornal Público sobre a covid-19. A partir de uma metodologia exploratória-descritiva, de caráter analítico foi possível fazer uma aproximação ao conceito e identificar três etapas narrativas presentes neste tipo de produto: contextualização, progressão e fechamento. A partir deste estudo, foi possível caracterizar estas três etapas no objeto de estudo, a partir dos seus elementos narrativo-visuais específicos e distintos entre si. Desta maneira, este artigo constitui um ponto de partida para a reflexão sobre o papel central das estratégias visuais para o Jornalismo de Dados, de forma a delimitar um corpo de trabalho que aproxime as fronteiras entre a Comunicação, Design e Tecnologia num contexto de hibridismo e reconfiguração de formatos digitias nos media.

Palavras-chave: Jornalismo de Dados; Design de Informação: Data Visualization; Design de Interfaces


A visualização de dados como meio de comunicação com os públicos: novas dinâmicas de informação.  Filipa Pereira (ESEV-IPV)

No último ano e meio Portugal e o mundo foram confrontados com uma luta desigual contra um vírus desconhecido que revolucionou a forma como as pessoas e as instituições vivem/convivem em sociedade. Foram alterados hábitos, comportamentos e formas de estar e comunicar uns com os outros.


Perante o desconhecido que era, e ainda é, este vírus da COVID-19 diversos órgãos de comunicação social (OCS) depararam-se com mudanças profundas na sua forma de comunicar e praticar jornalismo. Tiveram a necessidade de se reinventar e reorganizar. Para além das questões de segurança dentro das instalações de cada OCS que obrigaram a dinâmicas de trabalho em rotatividade de equipas garantindo poucas pessoas dentro do mesmo espaço, a própria forma de fazer jornalismo e de comunicar também foi afetada.


Durante este período foi possível observar uma enorme quantidade de gráficos, tabelas, quadros e esquemas que foram sendo divulgados para mostrar a evolução da pandemia e ao mesmo tempo explicar o que era o CORONAVIRUS, em que consistia, de que maneira se transmitia e como evoluía no nosso país e no mundo.
Perante esta necessidade de abordar algo tão complexo, surgiu uma comunicação muito mais visual, muito mais esquemática, com mais imagens e menos palavras. Passamos a ter uma informação muito mais centrada na visualização de dados e na construção de informação baseada em gráficos dinâmicos de atualização diária que permitiam aos media mostrar os números que faziam a pandemia em Portugal e ao mesmo tempo proporcionavam aos públicos ver a evolução deste flagelo que atingiu o mundo.


Os dados mostrados passaram a ser algo essencial nos telejornais diários e nos jornais disponibilizados nas bancas. O impacto dessa visualização dos dados permitia aos públicos criar imagens mais visuais e dinâmicas da pandemia permitindo entender tudo de forma mais célere do que se tivessem de ler alguns artigos quer científicos quer dos próprios jornais.


Este resumo visa apresentar um estudo levado a cabo para caracterizar os usos da visualização de dados e até mesmo da própria infografia numa fase em que a pandemia já estava plenamente instalada no nosso país e ao mesmo tempo que se falava na evolução dos seus números, entravam os dados da vacinação e da evolução da mesma em território nacional.


Este estudo analisou alguns jornais nacionais durante um determinado período de tempo possibilitando verificar os usos que os mesmos fizeram da comunicação mais visual centrada na visualização de dados e até mesmo na própria infografia. Procurou-se caracterizar o tipo de gráficos utilizados, o tipo de tabelas e a forma como esses mesmos dados eram apresentados. Por outro lado, houve uma necessidade muito grande de verificar se o uso da infografia se mantinha nesses jornais ou se pelo contrário, o produto da infografia havia sido substituído apenas pela comunicação mais centrada e tabelas, gráficos, quadros e esquemas.
Numa fase posterior desta investigação procura-se apresentar uma proposta de modelo de comunicação que seja válida para a construção de ferramentas de comunicação para contextos tão específicos como os da COVID-19.

Palavras-chave: visualização de dados; infografia; jornalismo; comunicação; informação

Jornalismo e código aberto: os casos do Shifter e da revista Interruptor Rui Miguel Godinho (NOVA FCSH)

O advento da internet trouxe consigo funcionalidades que não tinham sido imaginadas até então. Com isso, a informação passou a estar mais acessível, à distância de um clique, independentemente do local onde estivéssemos (Pavlik, 2001).

Segundo o portal DataReportal (2021), estima-se que, em abril de 2021, a percentagem global de utilizadores da internet ultrapasse os 60% (cerca de 4,72 mil milhões de pessoas). Ainda que os meios de acesso à informação estejam distribuídos no que toca à preferência de escolha, a web tem vindo a ganhar o seu espaço por entre os meios tradicionais. No que toca a Portugal, a maior parte dos indivíduos tem na internet a sua principal fonte de notícias, a par com a televisão (Newman et al., 2021). Não obstante, o potencial da internet para os media vai muito para lá do consumo de informação.

Com a maior facilidade de acesso à informação, grandes conjuntos de dados (o chamado big data) passaram a estar disponíveis para qualquer pessoa à distância de um clique. Isto acaba por ter um impacto não só na sociedade, na democracia e na participação cívica, mas também no jornalismo (Lewis, 2015). Surge assim a filosofia open source (ou código aberto, em português). Perens (2007) define o código aberto como sendo uma filosofia que garante direitos, nomeadamente o direito a redistribuir o conteúdo produzido pelos programadores; o direito a aceder ao código fonte do programa; e, por fim, o direito a modificar o conteúdo e o software. Porém, defende, esta abertura do código não é uma licença de distribuição, mas sim uma permissão, de modo a aumentar o espírito colaborativo entre as partes (ibidem).

Ainda que intimamente ligada à informática, esta cultura open source tem-se vindo a manifestar, em tempos recentes, no campo dos media, reconfigurando as lógicas e rotinas mais tradicionais (Baack, 2015). Em Portugal, as primeiras experiências na área surgem através de meios independentes. Em 2019, o site Shifter apostou nesta filosofia sendo o primeiro media a fazê-lo até então. Seguiu-se a revista Interruptor, em 2020, que foi o primeiro media nativo nesta cultura de código aberto, estratégia que se mantém até aos dias de hoje.

Este estudo de caso pretende analisar a forma como o código aberto e a colaboração são aplicadas nas rotinas da Interruptor, desde a escolha dos temas até à conceção de trabalhos interativos e passíveis de serem atualizados pelos leitores. Por outro lado, pretendemos aferir a forma como o Shifter utiliza o open source para se ligar às pessoas, e quais os recursos já explorados tendo em vista a aplicação desta filosofia no media. Para isso, observaremos diretamente cada meio durante um mês, conhecendo ao detalhe cada uma das realidades.

É esperado que, no final deste estudo, se reflita sobre a importância do código aberto no contexto dos media independentes; o impacto que tem para a eventual sustentabilidade dos mesmos e, eventualmente, qual o futuro do open source no jornalismo português, onde surgem cada vez mais meios independentes, mas no qual os media tradicionais ainda predominam.

Palavras-chave: código aberto; jornalismo colaborativo; jornalismo digital.

O Jornalismo-robot na construção da acessibilidade informativa científica 

Ana Frazão-Nogueira (UFP), José Túñez-Lopez (Univ. Sant. Compostela)  & Jesús Segarra-Saavedra (Univ. Alicante)

Em dezembro de 2020, a Trusted News Initiative anuncia ter unido forças contra a desinformação sobre a vacina do COVID-19. À coligação dos mais conhecidos gigantes da internet e da informação mediática junta-se a First Draft, uma aliança gatewatcher não-governamental que, em novembro desse ano, verificou 84% da desinformação sobre COVID-19 entre Facebook e Instagram. Entretanto, surgem notícias de óbitos resultantes de desinformação sobre coronavírus: dramáticas consequências de uma infodemia que, independente do tópico, dificulta respostas eficazes, nomeadamente, jornalísticas.

Já em 2018 foram identificados 16 Media, 13 agências noticiosas e 21 empresas líderes mundiais na automatização das notícias, com os oligopólios a transitarem do conteúdo para os mecanismos de controlo informativo. Diferenciam-se, agora, algoritmos de machine learning que oferece, para consumo direto, o rompimento da sobrecarga informativa ao automatizar o processo de produção de conteúdos mediáticos, convertendo os seus algoritmos, em jornalistas.

Entretanto, a atual premência de uma qualidade fundamental no jornalista: saber comunicar ciência. Voltemos à pandemia onde, mesmo tendo sido possível cientistas comunicarem diretamente com o público, através dos Media, os esforços de filtragem não impediram uma desgovernada avalanche contra-informativa e desinformativa que, no caso das vacinas, dificultou enormemente, por exemplo, explicar ponderações risco-benefício ou expor o normal grau científico de incerteza, sem descrédito.

Naturalmente os Media não podem forçar a valoração da Ciência, mas também não se podem isentar da responsabilidade de mediador, porém muitas redações não têm, ainda, jornalistas com formação especializada, por exemplo, em ciências exatas ou da saúde, para fazer as perguntas da forma certa o que leva os Media a terem precaução em definir como ‘divulgação’ e não ‘comunicação’, a difusão dos conteúdos científicos. Por outro lado, capitalizada pelo digital, surge, no Jornalismo, uma linguagem maioritariamente descritivo-cognitiva que acresce de competências imersivas o que não só se traduz como potencia a transmissibilidade da informação.

Deste cenário, este trabalho que, a partir da revisão bibliográfica narrativa (Elias et al., 2012), tem como objetivo principal perceber de que forma as competências do jornalismo-robot propiciam a construção da literacia das notícias científicas pretende, a partir daí, abrir as portas para novos estudos sobre esse sistema que traduz, com eficácia, a função e a textualidade informativa jornalística, transmitindo realidade.

Palavras-chave: Informação; Discurso científico; Jornalismo; Acessibilidade informativa; Algoritmos.

Áudio espacial e jornalismo imersivo: produção, design narrativo e sentido de presença Paulo Nuno Vicente (NOVA FCSH/ICNOVA) & Sara Pérez-Seijo (Univ. Compostela)

In recent years, as part of a broader transmedia engagement and cross-media practice, news media organizations have explored spatial sound as an innovative strategy to provide listeners with an immersive aural experience, both in the field of drama and entertainment, as well as in the journalistic domain (Edmond 2014).
Despite this growing relevance, very few research works have addressed immersive audio as a specific cultural form and practical domain within media and journalism studies (Wincott et al., 2020), particularly when comparing to the increasing number of research articles addressing virtual reality (VR) and 360˚ video. This historical imbalance and epistemic gap between sound and image has been previously voiced by several scholars from different disciplines (e.g., Aveyard and Moran 2013; van Leeuwen 2007; Gallagher 2015; Revill 2015).
This study articulates a production level, overall aimed at understanding how practitioners conceive, design, and produce immersive journalism in the form of spatial audio, with a reception level, intended to examine how do listeners experience immersion in non-fiction storytelling. It addresses the following research questions:
RQ1: What narrative objectives do journalists attribute to binaural audio productions?
RQ2: What transformations generated by using binaural audio do journalists identify in production?
RQ3: Do binaural audio listeners report significantly higher levels of immersion and place illusion when compared to monaural audio listeners?
Semi-structured interviews were conducted with journalists who authored the binaural audio journalistic features under study. These interviews were designed to gather the perspectives of two experienced radio reporters, both with several national and international awards and distinctions received throughout their professional careers, about: (a) objectives and expectations about the combination of spatial sound and journalistic narrative, in particular with regard to the creation of the sound experience for listeners; (b) strategies and techniques adopted for production and if/how they changed the way of conceiving and telling the story, field recordings, editing, and mixing procedures.


Regarding the self-reported listening experience, a total of 77 participants (65% females, 34% males) were recruited. Participants ranged in age from 19 to 55 years old (Mean: 29,53, SD: 9,66), being the 20 to 24 age group the largest of the sample. We designed and conducted a between-subject experiment with two listening conditions: participants randomly assigned to condition 1 experienced an audio feature in binaural audio (N=40); participants randomly assigned to condition 2 (control group) experienced an audio feature in monaural audio (N=37).
The original contribution of this article is threefold: (1) conceptual, by broadening the perspective of journalism studies’ scholars and of media professionals on the concept of immersive journalism, which, in our view, is often incorrectly considered synonymous with that of virtual reality journalism; (2) practical, by generating a more nuanced understanding on how practitioners perceive and put to work immersive journalism, and (3) phenomenological, by developing an examination on the factors that influence the immersive experience by the end listeners.

Palavras-chave: Immersive media; immersive journalism; spatial sound; binaural audio

A utilização das técnicas de SEO no contexto do jornalismo online: uma prática com futuro? Cristiana Sousa & Paulo Frias (FLUP)

O desenvolvimento da tecnologia e o surgimento de novos meios de comunicação obrigou o jornalismo a uma adaptação profunda ao novo contexto em que vivemos. A internet tornou-se o meio de comunicação e de consumo noticioso mais utilizado em todo o mundo, o que levou a uma migração em massa dos meios de comunicação para o ciberespaço. Esta adaptação da prática do jornalismo aos meios digitais e à internet gera diversas questões, maioritariamente de cariz técnico, que não se aplicavam nos meios de comunicação tradicionais. Uma dessas questões é a luta por visibilidade que os sites de notícias enfrentam na internet, entre si e também relativamente a outros sites de conteúdo online. Esta luta é mais notória nos motores de busca, que são, atualmente, um dos principais meios de pesquisa que as pessoas utilizam para obterem informações

Uma das ferramentas que permite melhorar a visibilidade de um website na internet é a Otimização para Motores de Busca, ou Search Engine Optimization (SEO). Esta ferramenta, ou conjunto de técnicas, surgiu no âmbito do Marketing Digital, em contexto comercial. No entanto, muitas das diretrizes utilizadas em SEO podem também ser aplicadas ao conteúdo jornalístico, sobretudo aquelas que dizem respeito ao conteúdo escrito das páginas online.

A utilização das técnicas de SEO no jornalismo online é ainda muito debatida e questionada, pelos seus objetivos essencialmente comerciais, acreditando-se que a sua aplicação poderá pôr em causa a qualidade do conteúdo jornalístico. No entanto, existem já diversas entidades noticiosas reconhecidas, como é o caso do The New York Times, que aplicam técnicas de SEO nas suas notícias online, podendo isto ser indicativo de que esta prática poderá ser benéfica para a visibilidade online dos websites noticiosos.

Este estudo tem como objetivo perceber de que forma as técnicas de SEO poderão ser aplicadas aos conteúdos jornalísticos online, de forma a aumentar a visibilidade dos websites noticiosos, sem colocar em causa a qualidade, veracidade e ética das notícias online. Ademais, será necessário compreender se todos os formatos noticiosos poderão ser alvo de otimizações no âmbito do SEO, incluindo as notícias de última hora, ou se as mesmas deverão ser aplicadas apenas a determinados formatos noticiosos, de forma a usufruírem de todas as potencialidades que o SEO poderá proporcionar.

De forma a compreendermos de que forma as técnicas de SEO poderão ser aplicadas ao jornalismo, será feito um cruzamento das diretrizes de SEO mais utilizadas no marketing com os princípios jornalísticos que devem ser seguidos no conteúdo noticioso.

Palavras-chave: SEO; jornalismo online; notícias online.

Redação jornalística na palma da mão: uma reflexão sobre o uso dos dispositivos digitais móveis na produção de notícias Luís Pedro Rodrigues (UCP/CECC)

Objetivos do estudo:

Analisar de que forma o uso dos dispositivos digitais móveis modificou a produção jornalística, principalmente, a partir do aumento da mobilidade e autonomia do jornalista, que passou a poder produzir, editar e publicar as notícias sozinho e distante da redação de jornal, usando apenas um smartphone. Dessa forma, refletir também sobre as condições laborais atuais e os fenômenos do jornalismo multitarefa e individualizado.

Conclusões:

A evolução tecnológica dos dispositivos digitais móveis, em especial, o smartphone, permitiu que o jornalismo do século XXI seja mais ágil e flexível, no sentido de acelerar as etapas do ciclo de produção de notícias, abrangendo uma maior variedade de formatos de notícia. Uma outra mudança de impacto foi o aumento da mobilidade e autonomia do jornalista, que passou a trabalhar sozinho e distante da redação de jornal. O que antes era trabalho de uma equipe, hoje é responsabilidade de apenas um profissional, munido com alguns equipamentos e uma rede móvel de internet. Dessa forma, jornalistas conseguem realizar transmissão de imagem e som em directo e publicar reportagens em texto nas plataformas digitais da empresa, longe da redação de jornal, por exemplo. Essa autonomia é muito importante ainda mais em um contexto recente de pandemia e quarentena, no qual muitos jornalistas tiveram de utilizar seus smartphones e outros equipamentos para trabalhar.

Sendo assim, o argumento central deste texto é de que a técnica desenvolvida no jornalismo móvel – como é denominada a produção jornalística que usa os dispositivos digitais móveis – converge com algumas tendências contemporâneas do jornalismo. A primeira que discutimos é a do trabalho individualizado e do acúmulo de funções, em decorrência da diminuição dos postos de trabalho. Com alguns equipamentos, o profissional consegue sozinho trabalhar todas as etapas do ciclo de produção de notícia (produção, edição e publicação). A segunda é a do fluxo contínuo de informação. Os smartphones e as redes móveis de internet promoveram a ubiquidade no jornalismo, ou seja: os jornalistas produzem notícia em qualquer lugar e a qualquer hora, e o público consome as notícias nessas mesmas condições.

Palavras-chave: Jornalismo móvel; Smartphone; Ubiquidade; Mobilidade; Multitarefa.

O Gif animado como facilitador do jornalismo digital: pode o conteúdo noticioso cívico prosperar na cultura gifable? Assunção Duarte (NOVA FCSH) & Paulo Nuno Vicente (NOVA FCSH/ICNOVA)

Resumo (500 palavras) (objetivos, enquadramento, metodologia)
Para os media jornalísticos online, o GIF animado oferece a versatilidade de uma fotografia, ilustração ou vídeo, mas será que pode ser mais do que isso?
A ubiquidade deste novo vocabulário da comunicação digital criou práticas de consumo, partilha e criação de conteúdo, cujo sucesso não se justifica pelas virtudes de formato técnico de compactação de imagem – há muito suplantadas por outros formatos mais eficientes – e extravasa a janela geracional mais jovem que o acolheu de forma entusiasta.


Esta linguagem visual, feita de afinidade orgânica com o meio digital e com a percepção humana, criou um enquadramento propício à sua propagação ao conteúdo noticioso e é apontada, pelos média jornalísticos mais inovadores e progressistas, como um manifesto de renovação e adaptação a novas práticas jornalísticas que se têm vindo a ajustar ao enquadramento digital.


Esta comunicação apresenta dados empíricos originais, recolhidos em contexto nacional, que permitem fazer uma primeira avaliação ao formato Gif animado utilizado em contexto noticioso cívico. O objectivo é perceber se este formato pode verdadeiramente contribuir para inserir o jornalismo e as audiências nos processos políticos e sociais, confirmando a percepção de inovação que representa dentro da prática jornalística, ou se, pelo contrário, pode contribuir para os manter como meros narradores e espectadores dos acontecimentos.


A recolha de dados foi conseguida recorrendo a duas metodologias complementares. A primeira através da administração de questionários que avaliam a experiência de visualização e utilização do formato GIF animado, nas tipologias identificadas como genéricas e na sua aplicação a três temáticas especificas do jornalismo cívico: Atualidade política (nacional e internacional), Atualidade ambiental (conservação do planeta e das suas espécies) e Ética e Cidadania (justiça social). Os questionários foram realizados com uma amostra de participantes constituída por estudantes universitários (entre os 18-30 anos), de ambos os sexos, aos quais foi atribuído um nível numa escala pré-definida de literacia digital (no uso do Gif animado) e de cultura participativa.


E a segunda vertente foi através da realização de uma experiência e focus group sobre criação de GIFs animados com conteúdo relacionado com as três temáticas em análise. Os participantes nesta experiência foram angariados na amostra anterior, entre os interessados em continuar a participar no estudo.
Com esta recolha empírica é possível avaliar o potencial deste formato enquanto ferramenta próxima das softnews, mas capaz de estimular a percepção sobre hardnews, identificando um modelo optimizado preliminar para esta ferramenta/artefacto de recolha, seleção, produção, publicação e partilha de conteúdos, quer para jornalistas quer para as audiências.


Esta comunicação faz parte do projeto de Doutoramento em Media Digitais da autora, intitulado: “GIFs animados no jornalismo digital: impacto nas narrativas visuais do jornalismo e na cultura participativa”.

Palavras-chave: gif animado; jornalismo digital; jornalismo cívico; geração Y-Z; linguagem visual

A participação do público no ciberjornalismo: a influência do Design Sara Alves (ULP) & Andreia Pinto de Sousa (ULP/HEI-Lab)

O surgimento da internet e, consequentemente, o advento da WEB 2.0 vieram revolucionar a forma como o Homem comunica. O público que antes era visto como um elemento passivo, transforma-se, começa a participar e a fazer-se ouvir de forma ativa. E é precisamente aqui que a área do jornalismo procurou reinventar-se, de forma a atrair o público, apostando não só nos conteúdos, como no design visual das respetivas plataformas. Assim sendo, o presente artigo procura compreender como é que o design adotado pelos media online poderá afetar a participação do público no próprio ciberjornalismo. O corpus de análise encontra-se dividido em três momentos.


No primeiro momento faz-se uma breve introdução relativamente aos avanços tecnológicos e sociais, onde se aborda o surgimento do ciberespaço e a transição para uma cultura participativa e convergente e o papel fulcral assumido pelo jornalismo.


O segundo momento explora a passagem do jornalismo para o ciberjornalismo e as inovações que surgem nesta área. Neste caso, debatem-se conceitos relacionados com as narrativas e práticas inovadoras, os elementos característicos desta área e ainda observamos como fatores não tecnológicos, como a construção de significado e o conhecimento situado, podem afetar o uso da tecnologia.
Por fim, o terceiro momento é inteiramente dedicado ao design das plataformas noticiosas e à participação do público, desdobrando-se em cinco eixos. No primeiro eixo relativo ao acesso e às posturas do público via web, procede-se a uma comparação das estruturas dos sites noticiosos e à explicação de elementos como a atualização dos conteúdos, a estética visual, a confiabilidade dos sites e a relevância das cores e imagens utilizadas. No segundo eixo, destinado ao acesso e às posturas do público via smartphone, abordam-se as características dos utilizadores deste meio, o feedback fornecido pelos mesmos quanto às aplicações móveis noticiosas e uma comparação do design dos sites jornalísticos face às respetivas aplicações móveis. No terceiro eixo relativo aos elementos visuais apresentam-se elementos relacionados com a cores utilizadas, a infografia, bem como formas de se destacar o foco visual a nível da interface. No quarto eixo, referente ao consumo de notícias, procede-se a uma explicação do acesso às notícias versus a leitura na íntegra das mesmas mediante os dispositivos utilizados. E, por fim, no quinto eixo destinado ao design para todos, abordam-se questões relacionadas com a acessibilidade de pessoas com deficiências às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).


Este artigo revela que, de facto, o design adotado pelos media online apresenta uma influência direta na participação do público e ainda pode contribuir positivamente nos processos cognitivos e emocionais. A aposta neste elemento, que surge como uma estratégia de inovação dos media online, levanta novas formas de participação e de interação. Para além disso, confirma-se que os dispositivos utilizados, como os computadores ou smartphones, provocam comportamentos distintos nos utilizadores, principalmente quando falamos do consumo de notícias. Mas não só, também se verifica que elementos como o layout, a usabilidade, a navegação, a densidade de informação, as cores, os grafismos e a estética visual são cruciais para a motivação da participação do público.

Palavras-chave: Público; Participação; Design; Ciberjornalismo.