NOVA FCSH | Lisboa | 11 a 13 de abril de 2022

RESUMOS SOPCOM: DI VIII – EI

Disrupção Informacional VIII: Estratégias de (In)formação

O ensino laboratorial de jornalismo e as perceções dos estudantes sobre os impactos formativos em período de pandemia Paulo Frias & Helena Lima (FLUP)

De acordo com Pokhrel & Chhetri (2021), a Covid-19 terá afetado cerca de 1.6 biliões de estudantes em mais de 200 países. A pandemia representou, a partir do ano de 2020 um efeito diruptivo nos formatos tradicionais de ensino presencial e os vários graus de ensino tiveram de encontrar alternativas que assentam essencialmente no recurso às plataformas digitais. Esta opção respondeu à necessidade de salvaguardar o distanciamento social, mas também obrigou a processos de inovação no ensino onlinel. Universidades e docentes procuraram formas alternativas e ensino através das TIC, que favorecem a disponibilização de conteúdos acessíveis a estudantes, independentemente da sua localização geográfica. Existem um conjunto de estudos transnacionais que se focam na potencialização das ferramentas pedagógicas digitais (Marinoni, Van’t Land & Jensen, 2020; Crawford et al, 2020; Ali, 2020), mas as questões de adesão a estes formatos por parte dos estudantes são mais complexas e não são unicamente determinadas pela eficácia das tecnologias. No campo específico do Jornalismo e o ensino através de aulas laboratoriais, estudantes e professores foram colocados perante um novo desafio, uma vez que as práticas em aula, as articulações dos grupos e todas as interações normais para este área foram drasticamente interrompidas. Existem já estudos sobre as perceções dos estudantes de jornalismo que podem servir de referência a abordagens mais amplas (Cicha, Rizun, Rutecka & Strzelecki, 2021). A nossa proposta de estudo de caso centra-se nas perceções dos estudantes da licenciatura de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, com um maior enfoque para os estudantes que em 2020 e 2021 não tiveram possibilidade de aceder a estágios em redações de meios de Comunicação Social. Desde 2004, que a licenciatura da U.P. tem implementada uma plataforma digital de notícias, o JornalismoPortoNet – JPN (https://www.jpn.up.pt/documentos/livro-de-estilo-jornalismoportonet/ [1]), onde os estudantes podem publicar os resultados das práticas, O JPN é também uma redação de estrutura semiprofissional, que acolhe estagiários finalistas na especialização de Jornalismo. Estudos anteriores apontam dados para as perceções dos estudantes sobre esta vertente laboratorial da licenciatura (Reis, Lima, 2016), pelo que de alguma forma se pode perceber as expectativas e resultados em relação a esta componente formaiva. O objetivo deste estudo é procurar entender de que forma a pandemia afetou a vertente laboratorial de ensino, do ponto de vista dos estudantes e de que forma os efeitos disruptivos foram ou não atenuados pelo ensino à distância. A metodologia passa pela realização de inquéritos que, numa primeira instancia determinam o perfil socioeconómico dos respondentes, sendo o segundo nível relacionado com métodos e eficácia de ensino e o terceiro nível com perceções globais e específicas de aprendizagem nas práticas do jornalismo. A amostra é constituída por … estudantes, correspondendo ao universo de frequência escolar para os anos de 2020/2021.

Palavras Chave: pandemia, ensino laboratorial, práticas laboratoriais de jornalismo, ensino digital, perceções dos estudantes

Disrupção no acesso à profissão: um novo modelo de estágio curricular no jornalismo António Granado & Dora Santos-Silva (NOVA FCSH/ICNOVA)

O estágio curricular numa redação jornalística é o modelo predominante em Portugal, à semelhança de outros países, para os estudantes universitários iniciarem o contacto com rotinas e práticas jornalísticas. É também nesta experiência que têm a percepção do que significa ser jornalista no dia a dia em comparação com o que idealizavam em sala de aula, em particular em unidades curriculares relacionadas com o jornalismo. Fruto do ecossistema mediático, tornou-se, nos últimos anos, a principal porta de entrada no mercado de trabalho.

Porém, é escassa a investigação sobre este modelo educativo. Os poucos estudos têm-se focado em questões éticas, como a precariedade do modelo (Salamon, 2015), o seu papel num modelo educativo empreendedor (Sparre & Færgemann, 2016) ou a sua eficácia como instrumento de aprendizagem em comparação com outras tipologias (Valencia-Forrester, 2020). É nesta última linha de investigação que a presente investigação se enquadra.

Esta comunicação tem como objetivo apresentar um modelo de estágio disruptivo que está a ser testado numa universidade portuguesa em parceria com dois órgãos de comunicação social. Numa primeira fase, procedeu-se a uma análise de conteúdo de 30 relatórios de estágios curriculares feitos em redações portuguesas, no âmbito de mestrados de jornalismo, entre 2017 e 2019, com vista à identificação de fragilidades em várias categorias de aprendizagem e aquisição de competências quer apontadas pelos estudantes na sua experiência de estágio quer detectadas na análise. Os resultados dessa análise serão apresentados, pela primeira vez, nesta comunicação. Numa segunda fase, com base nessa análise, procedeu-se ao desenho de um modelo de estágio flexível, mas com pilares comuns, que está a ser testado desde 2020 em duas redações com alinhamentos editoriais distintos. O modelo, bem como os resultados preliminares de três programas de estágio realizados em três semestres, com base em inquéritos aos alunos e entrevistas aos responsáveis das redações, serão apresentados nesta comunicação.

Palavras-chave: Inovação no jornalismo; educação no jornalismo; estágios curriculares; modelos educativos; educação para os media.

Novos desafios num sector em mudança: inquérito sobre formação e práticas no jornalismo em Portugal Pedro Caldeira Pais, Miguel Crespo, Ana Pinto-Martinho, Miguel Paisana & Caterina Foa (ISCTE-IUL/CIES-IUL)

Surgida de um estudo por parte do OberCom – Observatório da Comunicação e do CIES, do ISCTE, esta comunicação centra-se na identificação e análise das práticas e formação dos jornalistas em Portugal. Procura-se identificar o percurso académico e as opiniões e atitudes dos jornalistas acerca do tipo de formação que existe e/ou que deveria existir em Portugal, compreendendo as práticas, mudanças e desafios que surgiram e se desenvolveram ao longo dos últimos anos no sector. Foi aplicado um questionário a jornalistas em Portugal com o propósito de perceber: a) qual a formação académica e complementar dos jornalistas; b) as opiniões e atitudes relativamente à formação jornalística que existe actualmente no país; e c) identificar as posições destes profissionais relativamente ao seu futuro, percebendo o que pode ser desenvolvido para obter um quadro formativo mais eficaz tendo em conta necessidades específicas – tanto para jovens jornalistas, como para profissionais mais experientes – que resultam da evolução do jornalismo. O objectivo principal desta comunicação é apresentar às instituições de ensino e a empresas de comunicação social, bem como a organizações regulatórias e representativas da profissão, informação sobre estes temas, possibilitando a identificação de novos aspectos e perspectivas no que concerne ao presente e ao futuro da formação em jornalismo. Ao mesmo tempo, e tendo em conta inquéritos anteriores dirigidos a jornalistas em Portugal, procura-se também perceber se existem mudanças significativas no que respeita, por exemplo, à procura por formação complementar ou à evolução das práticas e ao surgimento de novas exigências no sector. No total, este questionário foi respondido por 236 jornalistas e possui 54 questões. Desta análise, surgiram diversas conclusões. Desde logo, a necessidade que muitos jornalistas sentem em obter formação complementar, a maioria por iniciativa própria e sem apoios, apontando, entre outras coisas, para uma consciência relativamente a novas exigências no sector. É identificada a opinião geral dos inquiridos de que, nos próximos 10 anos, os formadores em jornalismo deveriam possuir maiores valências técnicas e metodológicas, nomeadamente ao nível da área digital e de análise de dados, resultado de uma gradual transformação no jornalismo no que respeita ao tratamento e selecção de informação. A isto junta-se a percepção geral de que deve existir uma maior valorização de aspectos formativos especializados, de modo a incentivar melhorias no uso de novas tecnologias ou no conhecimento acerca do jornalismo em multiplataformas. É igualmente evidente a percepção dos jornalistas sobre a actual ausência de uma componente mais prática na formação (e.g., estágios em empresas, visitas frequentes a redacções), que, na sua opinião, promove o afastamento de jovens alunos da realidade jornalística; e, do mesmo modo, é identificado pelos inquiridos a necessidade de reforçar, nos alunos e jovens profissionais, noções éticas e deontológicas, para juntar a conhecimentos que estes já tendem a possuir ao nível tecnológico. De um modo geral, a análise indica assim a necessidade da formação e dos formadores em Portugal de se adaptarem a novas e difíceis exigências, resultado de um mundo jornalístico em constante evolução e mudança.

Palavras-chave: Jornalismo; Formação; Práticas; Questionário

Quem são os novos jornalistas influentes nas redes sociais para os jovens? Um estudo sobre abordagens jornalísticas estratégicas no Instagram em Portugal Vasco Araújo (NOVA FCSH/ICNOVA)

O papel atual do jornalista está a alterar-se. Com o crescimento do jornalismo-cidadão – para o qual as redes sociais são especialmente importantes (Bruns and Highfield, 2012), os jornalistas profissionais compreendem que têm de interagir com a audiência numa conversação em vez de uma palestra, ao serem ativos nas redes sociais (Hedman and Djerf-Pierre, 2013).

A transformação da interação entre jornalistas e audiências nas redes sociais está interligada com dinâmicas de self-branding (Hearn, 2013). Há evidência de uma nova fonte jornalística – colunistas celebrificados – que criam autênticos espetáculos de opinião e encorajam a participação de micro-audiências nas redes sociais (Marshall, 2014). Um grupo particularmente importante a referir a nível das audiências são os jovens da Geração Z, sendo esta a primeira geração a ter nascido na era das redes sociais (Williams, 2015). As redes sociais não se tornaram apenas num contexto de desenvolvimento importante para os jovens (Vanucci et al, 2020), mas tornaram-se quase ubíquas entre eles.

À medida que o smartphone se torna no dispositivo principal em Portugal para os jovens acederem à internet e consumirem informação (Melro, 2018), o formato das notícias altera-se (Newman, 2018). Várias editoras começaram a focar-se no Instagram e nas suas histórias, já que estes formatos reforçam a visibilidade da marca e a interação com jovens (Vázquez- Herrero, Direito-Rebollal e López Garcia, 2019).  Existe, portanto, um esforço em termos de investimento por parte de meios noticiosos em tecnologias interativas e mobile, na esperança de atrair audiências jovens (Doctor, 2014). No entanto, há também um esforço individual do jornalista ao investir em práticas de self-branding (Hedman e Pierre, 2015) para as novas plataformas digitais.

O meu objetivo com este projeto é de compreender a disrupção do papel do jornalista individual atual nas redes sociais em Portugal. Este trabalho dará seguimento a um paper que realizei em 2021, no qual constatei que existe a necessidade de enquadrar uma nova abordagem estratégica por parte do jornalista às plataformas sociais para atrair os jovens. Considerando a presença dos jovens na plataforma Instagram, pretendo analisar especificamente, nesta plataforma, quais são as atuais práticas de self-branding por parte de jornalistas portugueses influentes nesta rede social que atraem os jovens.

Para realizar este projeto, a metodologia adoptada será uma análise do discurso. Esta análise terá como base uma amostra selecionada de perfis de jornalistas portugueses considerados “influentes” no instagram, com um número de seguidores acima dos 5 000, e com uma média de 20 comentários por post realizado entre o início do ano de 2020 (Janeiro de 2020) e o final do primeiro semestre de 2021 (Junho de 2021).  Será analisada a descrição / copy da imagem (discurso verbal), bem como a imagem em si (comunicação não verbal), e a interação dos seguidores com as publicações de cada um dos jornalistas selecionados. Será também analisada a audiência de cada um dos profissionais, de forma a tentar compreender quais os jornalistas que atraem públicos mais jovens, e porque serão esses jornalistas específicos mais atrativos para este segmento.

Palavras-chave: jornalista celebrificado; práticas de self branding; redes sociais; jovens e media; jornalismo disruptivo

Alfabetização tecnológica: como educar o público para consumir conteúdos jornalísticos imersivos? Marina Vasques Oliveto (ULHT)

Os jornalistas, cada vez mais, buscam ferramentas para aumentar o engajamento do público com a informação. Com isso, os vídeos em 360º e a realidade virtual são formatos que foram utilizados por veículos de comunicação de grande relevância como The New York Times, Euronews e The Guardian, por exemplo, para explorar temas sensíveis e de relevância para sociedade.

Essas novas narrativas permitiram transformar o acesso à informação e se tornaram atrativas para o público entre 2014 e 2018, quando aconteceu o boom do jornalismo imersivo. Foi possível compreender que essas novas formas de comunicação acomodam necessidades pessoais e coletivas como formatos virtuais (Cavallin, 2009). Além disso, as plataformas sociais corroboram com essas necessidades das pessoas, configurando-se como um espaço eficiente para transmitir informações, interagir e compartilhar dados sem levar em conta o tempo e o lugar de forma rápida e fácil. Assim, os novos modelos de consumo e produção de informação, assim como a conectividade, ganham mais destaque graças aos mais recentes avanços em tecnologia e estrutura digital (Peters, 2016).

Ao mesmo tempo que asa pessoas estão cada vez mais conectadas e consumindo conteúdo rápido e superficial, elas também estão dispostas a consumir informações mais detalhadas e com maior profundidade no assunto, desde que sejam engajadas e motivadas para viver essa experiência promovida pelo conteúdo imersivo.

Porém, mesmo com essa curiosidade aflorada e a disposição para descobrir os novos formatos narrativos, nos últimos três anos, os veículos de comunicação desaceleraram as produções e, somente alguns, continuam investindo no jornalismo imersivo com o uso de vídeos 360º e a realidade virtual.

Com isso, este estudo propõe uma análise sobre quais veículos de comunicação em Portugal e outros países continuam produzindo conteúdo jornalístico usando os vídeos 360º e a realidade virtual entre 2018 e 2020. Para isto, será utilizada a metodologia qualitativa do estudo de caso, para analisar como a alfabetização tecnológica do público pode ter sido um importante indicador para o declínio da produção de conteúdo jornalístico imersivo. Além disso, o estudo pretende se utilizar de entrevistas com jornalistas portugueses para entender quais são as dificuldades e desafios de produzir conteúdo imersivo para o público local, para além da questão do educar para o uso da tecnologia.

Palavras-chave: alfabetização tecnológica; imersão; conteúdo imersivo; jornalismo imersivo.