NOVA FCSH | Lisboa | 11 a 13 de abril de 2022

RESUMOS SOPCOM – DP I

Disrupção Política I: Política & Pandemia

Covid-19 em Portugal, uma pandemia entre a disrupção e a continuidade na comunicação política Felisbela Lopes (UM/CECS), Clara Santos (UC/CEIS20), Olga Magalhães (UP/CINTESIS) & Rita Araújo (UM/CECS)

Em Portugal, a pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2 trouxe para o campo jornalístico um conjunto alargado de especialistas, principalmente da área da saúde. No entanto, as fontes oficiais, sobretudo políticas, não perderam espaço. Mas mudaram estratégias de comunicação ao longo do tempo. A elas ficou reservado o papel de decisores, mas isso nem sempre foi comunicado da melhor forma, criando-se com regularidade entropias de vária ordem. Por exemplo, por vezes não se tornou claro por que é que se tomaram determinadas medidas restritivas. A resposta a esta pandemia foi sempre difícil. Acima de tudo, porque o conhecimento era escasso, mas muitas vezes porque não havia cooperação e coordenação entre vários agentes, entre eles os governos, autoridades de saúde ou especialistas. Neste trabalho, procuramos saber qual o lugar das fontes oficiais, nomeadamente políticas, na imprensa portuguesa durante os primeiros estados de emergência. Para isso, analisámos dois jornais, um de referência (Público), outro de linha popular (Jornal de Notícias), de 18 de março a 2 de maio de 2020 e de 9 de novembro a 23 de dezembro de 2020. O nosso corpus de análise é composto por 2307 textos noticiosos: 1850 textos foram publicados durante a primeira fase de emergência nacional, citando 4048 fontes; e 457 foram publicados na segunda fase, apresentando a citação de 857 fontes. Como conclusões, constatamos uma grande visibilidade das fontes oficiais, particularmente do Governo, sobressaindo aí o Primeiro-Ministro e um conjunto restrito de outros ministros. Não há propriamente ninguém que assuma o papel de porta-voz oficial daquilo que vai acontecendo, ao contrário do que é recomendado na literatura, e isso foi provocando alguns deslizes na comunicação ao longo de 2020, verificando-se no final desse ano uma subida de casos, resultante também de algumas hesitações ao nível das decisões. Nesse tempo, a resposta foi oscilando entre estratégias disruptivas em momentos sensíveis e uma certa continuidade em termos de comunicação política.

Palavras-chave: Covid-19,  jornalismo, fontes oficiais, comunicação política


A comunicação política relativa aos programas de vacinação: um estudo comparativo de esquemas argumentativos Ana Trevisan Ferreira & Allan Ferreira (NOVA FCSH/ICNOVA)

The use of social media platforms by the political agents increases with time and gains an official communication status, conducting policies and directing addressing the populations, sometimes, faster than the traditional communication channels.
This case study aims to analyze the argumentative schemes present in messages published on Twitter concerning the Covid-19 vaccination programs, made by two government leaders: the Prime Minister António Costa in Portugal, from the Socialist Party and the Brazilian President, Jair Bolsonaro, who is not associated to any political party at this moment, but whose ideals are aligned with the practices and thoughts of the nationalist and populist right-wing of the political spectrum. For this study, we aim to collect the messages published by them using Twitter about the vaccination issues four months after the approval of the first vaccine in the world. These messages will be analyzed in terms of their argumentative schemes,
The argumentative analysis, which is based on concepts of presumptive argument and argumentative schema (Macagno, 2019; Walton and Macagno,2019) will be the main method to analyze this corpus of tweets. The program Chorus will be used to collect the data from Twitter, due to its functionality that allows extraction of data by time frame and by keywords. The messages collected will be then manually classified, and only the messages with argumentative nature will be selected according to some exclusion criteria (content from articles or written by third parties, content reproduced from previous messages, messages that only show feelings or emotions,  or without the basic argumentative structure must be excluded), and according to some positive criteria like the presence of argumentative structure, opinions, premises or conclusions (Macagno, 2019). The images (photos and videos) published together with the textual content will be considered for disambiguating the textual content, or when they bring the message itself (for example, an audiovisual piece of a recorded interview). The messages selected from the four agent profiles will then be submitted to quantitative and qualitative analysis. The quantitative analysis will consider the types of arguments and their frequency, as well as the fallacies presented by the agents. Finally, these results will be compared and analyzed qualitatively.
A quali-quantitative analysis of explicit and implicit strategies used by political agents could allow a deeper understanding of ethical discourse and manipulative discourse, and lead to comparative studies that can bring to light different communication profiles and ethical behaviors and could lead to an analysis of the reflections of the type of communication over the indexes concerning public health.

Palavras-chave: political communication; social media; argumentative schemes; pandemics politics; politics and populism

Vacinação: mais um capítulo na narrativa política da pandemia Ana Teresa Peixinho (UC/CEIS20), Catarina Burnay (UCP/CECC), Olga Magalhães (UP/CINTESIS) & Rita Araújo (UM/CECS)

No primeiro trimestre de 2020, o vírus respiratório, que assolava Wuhan, desde o final de 2019, chega ao mundo ocidental, tendo a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarado a pandemia de COVID-19 em março. O anúncio foi acompanhado, nos meses subsequentes, por uma avalanche de informação (nem sempre fidedigna ou verdadeira), disseminada por todos os meios e a grande velocidade pelas redes sociais.

Perante um acontecimento disruptivo, provocado por uma questão de saúde pública de grande gravidade, que nem entre a comunidade científica gera consensos, a proliferação de enquadramentos contribuiu para aumentar a insegurança e o medo generalizados, constituindo um ruído na perceção do problema por parte da população.

A construção da narrativa distópica da pandemia de COVID-19 foi sendo acompanhada pela cobertura da evolução científica na busca da tão desejada solução para a imunidade de grupo: a descoberta de uma vacina. É no final de 2020 que a narrativa mediática disfórica começa a inverter caminho, precisamente na altura em que a European Medicines Agency (EMA) aprova a vacina da BioNTech-Pfizer e a Comissão Europeia (CE) anuncia o arranque da vacinação nos estados-membros para o final de dezembro.

Este artigo é um estudo de caso exploratório sobre a mediatização da primeira fase de vacinação contra a COVID-19 em Portugal. Os dois jornais selecionados para este estudo foram o Público (P), jornal diário nacional de referência, e o Jornal de Notícias (JN), jornal diário popular, nas suas versões impressas. Assume-se esta análise como um estudo de caso exploratório, que integra um projeto mais amplo que se debruça sobre a comunicação do processo de vacinação contra a COVID-19 em Portugal através da análise da cobertura mediática, não só na imprensa generalista nacional, mas também nos serviços noticiosos dos canais de televisão generalistas em sinal aberto, e da análise da comunicação estratégica promovida pelas fontes oficiais, portuguesas e europeias.

Foram analisados todos os números de ambos os jornais publicados entre 21 de dezembro de 2020 e 21 de janeiro de 2021, período que corresponde à aprovação das vacinas pela EMA e pela CE contra a COVID-19 e ao início da primeira fase de vacinação em Portugal que teve como beneficiários prioritários os profissionais de saúde.

Este estudo de caso adota uma metodologia qualitativa, embora fundamentada em dados de análise de conteúdo, e segue os procedimentos da Análise de Discurso. As categorias de análise utilizadas distribuem-se por três parâmetros de construção dos enunciados: as dimensões semântica, sintática e retórica que permitirão aceder às principais estratégias discursivas utilizadas na cobertura jornalística da primeira fase da vacinação contra a COVID-19 em Portugal.

A análise revela que a cobertura noticiosa dos dois jornais recorre essencialmente a duas estratégias discursivas: a politização do acontecimento, configurando uma narrativa que espelha um trabalho jornalístico excessivamente dependente de fontes oficiais; e a promoção de uma narrativa de esperança, contrastante com a narrativa distópica anterior.

Palavras-chave: Vacinação; COVID-19; mediatização; discurso; narrativa; politização.

Media Sociais e Populismo na Pandemia: Jair Bolsonaro no Instagram de jornais brasileiros e internacionais durante a pandemia Alice Teixeira (ESE-IPC) & Bruno Araújo (UFMT)

A pandemia de Covid-19 converteu-se no principal assunto da cobertura jornalística. No Brasil, as vítimas fatais já ultrapassaram os 500 mil (de Best, 2021). Apesar de o país latino-americano representar apenas 2,7% da população mundial (Whelan, 2020), até ao momento, é o terceiro país com mais mortes por Covid-19 no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos da América e da Índia (de Best, 2021). Uma das razões para a situação vivida no país tem a ver com o modo como o governo do presidente Jair Bolsonaro conduziu a crise desde o início, com base num discurso negacionista e de ataque à ciência e às medidas sanitárias. (Ortega e Orsini, 2020). Diante esse cenário, não apenas o jornalismo brasileiro, mas os diversos meios internacionais, voltaram o olhar para a realidade brasileira, particularmente para a figura de Jair Bolsonaro, um líder populista iliberal (Mounk, 2018) identificado por diferentes autores como um populista autoritário (Norris e Inglehart, 2019) ou reacionário (Paulino e Waisbord, 2020) na medida em que as atitudes do presidente são de reação a normas e valores da democracia liberal.

Perante isso, como foi Bolsonaro representado nas redes sociais do jornalismo durante o primeiro ano da pandemia no Brasil? Verificar a representação mediática deste ator político na rede social é fundamental para compreender os sentidos que circularam num contexto marcado por uma forte reação do público. Para o estudo, optámos pelo Instagram, rede social que tem crescido nos últimos anos. Assim, o principal objetivo é analisar as representações de Jair Bolsonaro nas páginas de Instagram de oito jornais internacionais (New York Times, The Guardian, El País, Le Monde, Le Figaro, Zeit im Bild, Clarín, Jornal de Notícias e Público) e dois brasileiros (Folha de São Paulo e O Globo). Realizou-se a recolha de todas as publicações no período de 1 de fevereiro (mês do primeiro caso de infeção por Covid-19 no Brasil) a 31 de dezembro de 2020. Dado o tamanho do corpus e os objetivos deste trabalho, optámos por realizar uma Análise de Conteúdo das 175 postagens coletadas, seguindo os pressupostos de Bardin (2011).

Do ponto de vista teórico, o trabalho discute o conceito de populismo articulado a uma contextualização de Bolsonaro no enfrentamento da pandemia da Covid-19. Da mesma forma, reflete sobre a relação do populismo com o jornalismo e o papel das redes sociais. Com a análise empírica, procuramos explorar eventuais diferenças entre a representação feita pelos media brasileiros e os media internacionais sobre Jair Bolsonaro, procurando identificar categorias do populismo presentes nestas representações.  Numa primeira leitura crítica do corpus, observamos que os jornais internacionais adotaram tom mais assertivo em relação ao presidente que os media brasileiros.

Referências
Bardin, Laurence. 2011. Análise Do Conteúdo – Edição Revista e Ampliada.

de Best, Raynor. 2021. “Coronavirus (COVID-19) Deaths Worldwide per One Million Population as of June 22, 2021, by Country.” Retrieved (https://www.statista.com/statistics/1104709/coronavirus-deaths-worldwide-per-million-inhabitants/).

Mounk, Yascha. 2018. O Povo Contra a Democracia. edited by C. das Letras. São Paulo.

Norris, Pippa, e Ronald Inglehart. 2019. Cultural Backlash: Trump, Brexit, and Authoritarian Populism. Cambridge University Press.

Ortega, Francisco, e Michael Orsini. 2020. “Governing COVID-19 without Government in Brazil: Ignorance, Neoliberal Authoritarianism, and the Collapse of Public Health Leadership.” Global Public Health 0(0):22. doi: 10.1080/17441692.2020.1795223.

Paulino, Fernando Oliveira, e Silvio Waisbord. 2020. “Las Narrativas Del Populismo Reaccionario: Bolsonaro En Twitter Durante La Pandemia.” Mediapolis.
Whelan, Nathaniel. 2020. “Countries By Percentage Of World Population.” World Atlas.

Palavras-chave: Populismo; Covid-19; Jair Bolsonaro; Instagram; Jornalismo

A comunicação do governo português em tempos de pandemia – dos estados de emergência à plataforma “covidestamoson” Bruno Ferreira Costa (UBI/LABCOM)

O surgimento do novo coronavírus, no final do ano de 2019 na China, alterou, de forma significativa, as regras e o modo de vida de milhões de habitantes, com um processo de securitização sanitária a ter sido adotado em todo o globo. Os diferentes níveis das medidas securitárias resultam de um vasto conjunto de fatores, tais como a orientação política dos governos, as condicionantes económicas e sociais, a localização geográfica do país, a integração do país em blocos económicos ou políticos, a ação de organizações internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre outros (Dohle, Wingen e Schreiber, 2020 e Hsiehchen, Espinoza e Slovic, 2020).

Estas decisões provocam consequências imediatas sobre o modo de vida dos indivíduos e sobre a perceção existente das medidas adotadas pelos respetivos governos. De facto, o atual contexto pandémico tem produzido um conjunto de alterações significativas na estratégia de comunicação dos diversos governos nacionais. Ao longo do último ano tem sido possível observar as estratégias implementadas por cada Estado, sendo de realçar os mecanismos de comunicação entre os Governos e a população, num modelo que mescla a vertente comunicacional (e a sua efetividade) e os desafios da representação e integração dos cidadãos na luta contra os efeitos da pandemia (Anderson, Heesterbeek e Hollingsworth, 2020).

A incerteza associada às características e aos efeitos do novo vírus (Covid-19) conduziu a uma sucessão de medidas políticas, económicas, sociais e sanitárias adotadas num contexto de medo e de instabilidade social, com a aceitação imediata de um conjunto de medidas limitadoras da liberdade. Embora enquadradas num contexto jurídico-legal, a continuidade de restrições à circulação e à prática de determinadas atividades tem gerado alguma contestação e o fortalecimento de movimentos opositores aos estados de emergência e a períodos de confinamento. Ou seja, a sociedade iniciou, paulatinamente, uma resistência a medidas fortemente restritivas, forçando os decisores políticos a adotar medidas que possam corresponder às recomendações dos cientistas e investigadores, à capacidade de resposta dos serviços de saúde, mas igualmente aos anseios das populações (Andrade, 2020 e Pleyers, 2020).

A posição de Portugal tem sido uma das mais relevantes numa vertente comparativa. De milagre no controlo da pandemia na primeira fase, o país registou os piores valores mundiais (número de mortos e casos por milhão de habitantes) na terceira fase, voltando a registar, desde março de 2021, um dos ritmos de crescimento mais lentos da propagação do vírus no contexto europeu (Campos e Lins, 2020 e Paulino et al., 2021).

O primeiro caso de Covid-19 foi identificado em Portugal a 02 de março de 2020, de um cidadão proveniente de Itália, tendo a Assembleia da República debatido e aprovado a 18 de março de 2020 a Resolução n.º 15-A/2020, que permitiu ao Presidente da República declarar o estado de emergência no país em virtude da situação de calamidade pública existente. Nesse mesmo dia, o Governo português lançou o site “www.covid19estamoson.gov.pt” como plataforma única para centralizar todas as informações relativas à propagação do vírus, às medidas de proteção e divulgação dos apoios existentes para cidadãos, famílias e empresas afetadas pelo Covid-19.

A formalização de uma plataforma única não demoveu o Governo da estratégia de comunicação adotada desde o início de março de 2020, com a organização de conferências de imprensa diárias, com a presença da Diretora Geral de Saúde (Graça Freitas) e  a Ministra da Saúde (Marta Temido), relatando a evolução da pandemia e as medidas adotadas pelo governo.

O objetivo principal do site visava a adoção de uma linguagem e comunicação simples e direta, capaz de fornecer todas as informações relevantes no combate à propagação do vírus, no entanto, importa referir que em Portugal mais de 20% da população revela não ter acesso ou utilizar a internet, sendo esse número claramente superior na população acima dos 55 anos.

A sucessão da adoção e aprovação de estados de emergência, num amplo consenso partidário, governativo e envolvendo o Chefe de Estado (Presidente da República) criou as condições necessárias para uma ação concertada dos agentes políticos, no sentido de implementar confinamentos gerais e específicos. No entanto, nem sempre as medidas foram compreendidas e aceites ou eficientes, gerando um descontrolo da pandemia, o que resulta da comunicação errática ou da disfunção entre as medidas apresentadas e os exemplos públicos observados pela população.

A presente investigação centra-se em dois domínios fundamentais: a análise dos estados de emergência aprovados durante o ano de 2020 e a análise da estratégia comunicacional do governo português face à pandemia gerada pelo Covid-19, com um foco concreto na comunicação digital associada à plataforma “Covidestamoson”. Deste modo, a investigação recorre à análise descritiva dos diplomas que regulamentaram os estados de emergência, bem como a disposição temática e informações disponibilizadas pela referida plataforma, permitindo criar um roteiro de comunicação oficial do governo português sobre a presente temática.

Os dados iniciais apontam para um efeito de “bola de neve” nas políticas adotadas, com o governo a implementar medidas previamente aprovadas ou em curso em outros Estados europeus e a renovar, de forma sistemática, um conjunto de medidas coercitivas da liberdade, ao passo que apontam para um sistema de comunicação centrado na divulgação das medidas de proteção e esclarecimento das dúvidas relativamente aos apoios existentes face à situação pandémica. De igual modo, a existência de uma plataforma de comunicação estática obriga à existência de cidadãos ativos, capazes de procurar as informações disponíveis na plataforma.


Palavras-chave: comunicação política; comunicação online; governo português; covid-19; comunicação online; estado de emergência.

Bibliografia

Anderson, R., Heesterbeek, H., Hollingsworth, T.D. (2020). How will country-based mitigation measures influence the course of the Covid-19 epidemic? The Lancet, 395 (10228), 931-934. Doi: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)30567-5

Andrade, P. (2020). Cultural resistance to covid-19. An encyclopedia of public art for artist and tourism publics? Cadernos de Arte Pública, 2 (2), 57-74.

Campos, L.P. & Lins, T. (2020). Pandemia à Portuguesa: um relato sobre o Covid-19 em Portugal. Espaço e Economia, 17. Doi: https://doi.org/10.4000/espacoeconomia.10369

Dohle, S., Wingen, T., & Schreiber, M. (2020). Acceptance and Adoption of Protective Measures During the COVID-19 Pandemic: The Role of Trust in Politics and Trust in Science. Social Psychological Bulletin, 15(4), 1-23. https://doi.org/10.32872/spb.4315

Hsiehchen, D., Espinoza, M & Slovic, P. (2020). Political partisanship and mobility restriction during the COVID-19 pandemic. Public Health, 187, 111-114. https://doi.org/10.1016/j.puhe.2020.08.009

Paulino, M., Dumas-Diniz, R., Brissos, S. Brites, R., Alho, L. Simões, M. & Silva, C.F. (2021) COVID-19 in Portugal: exploring the immediate psychological impact on the general population. Psychology, Health & Medicine, 26:1, 44-55, DOI: 10.1080/13548506.2020.1808236

Pleyers, G. (2020). The Pandemic is a battlefield. Social movements in the COVID-19 lockdown. Journal of Civil Society, 16:4, 295-312, DOI: 10.1080/17448689.2020.1794398