NOVA FCSH | Lisboa | 11 a 13 de abril de 2022

RESUMOS SOPCOM: DS V – AAE

Disrupção e Sociedade V: Agendas & Agentes de Educação

“Criar com os media na sala de aula? Sim, mas não sempre.” Opiniões de professores e alunos sobre as práticas de criação mediática na sala de aula  Ana Oliveira (UM/CECS)

Nos nossos dias, as competências mediáticas são essenciais. As crescentes possibilidades para aceder, participar e partilhar ideias através dos media digitais realçam a importância do pensamento crítico, da literacia mediática e da criatividade enquanto competências fundamentais para que os jovens prosperem e sejam ativos e participativos na sociedade e comunidades onde se inserem (Hobbs, 2010; Hobbs, 2017; Tomé, Lopes, Reis, & Dias, 2019; Friezem, 2014).
Neste sentido, a escola desempenha um papel importante quando se trata de educar para a cidadania (d’Oliveira Martins et al., 2017) e de ensinar os mais jovens a utilizar os media de forma adequada e consciente (Ait Hattani, 2019; Dias-Fonseca & Potter, 2016; Dishon & Ben-Porath, 2018; Lauricella, Herdzina, & Robb, 2020). Porém, e apesar dos esforços para promover a literacia mediática no contexto escolar, várias investigações a nível mundial salientam um desencontro entre a teoria e prática – as propostas curriculares desviam-se dos objetivos de uma educação para os media (Pessôa, 2017; Soares, 2011; Opperti, 2009) -, enquanto outras sugerem que o sucesso da integração dos media na sala de aula depende de outros fatores, tais como a motivação do professor (Renee Hobbs & Tuzel, 2017).


Tomando como ponto de partida o potencial pedagógico da cultura da convergência (Jenkins, 2006) e das narrativas digitais (Junior et al, 2011; Hofer & Swan, 2006), a importância das competências de criação para o indivíduo do século XXI (d’Oliveira Martins, 2017; Partnership for 21st Century, 2017; OCDE, 2016; European Commission, 2016; World Economic Forum, 2015) e a tendência crescente da geração Z para aprender fazendo (Barnes & Noble, 2018), esta comunicação aborda os resultados parciais de um trabalho empírico realizado com 8 turmas do ensino secundário, de duas escolas portuguesas (uma da distrito do Porto e outra do distrito de Aveiro). O trabalho empírico testou a integração de atividades de produção mediática em sala de aula, a partir de temas dos programas curriculares de quatro disciplinas do ensino secundário nacional, relacionados com a cidadania.
Os dados apresentados decorrem da análise de conteúdo de entrevistas semiestruturadas realizadas a 5 professores e de grupos de discussão realizados com 197 alunos. Os resultados preliminares sugerem que professores e alunos acreditam que as práticas de criação e produção têm espaço em sala de aula, mas não diariamente. Os professores sublinham que as restrições de tempo e a falta de orientações específicas nos programas curriculares relativamente ao uso dos media fazem com que nem sempre saibam como utilizar os media de forma mais criativa na sala de aula. Os jovens, por sua vez, não acreditam que a produção mediática seja a solução para serem ouvidos pelos adultos, sendo o seu envolvimento em tarefas colaborativas de criação e produção mediática suscetível ao interesse pelo tema, à plataforma em uso e ao tempo disponível para a realização das tarefas.

Palavras-chave: Literacia Mediática; Escola; Jovens; Professores; Criação Mediática

Primeiras produções audiovisuais de cineastas amadores: estudo empírico com estudantes e investigadores em Humanidades Allan Ferreira & Ana Carolina Ferreira (NOVA FCSH/ICNOVA)

Educação (aberta) e cinema: desafios à luz do PNC João Pinto (UAlg/CIAC), Teresa Cardoso (UAb/LE@D)  & Ana Isabel Soares (UAlg/CIAC)

A presente proposta de comunicação constitui uma reflexão sobre a relação entre educação e cinema, considerando os desafios da disrupção tecnológica para o Plano Nacional do Cinema (PNC), no contexto do movimento da educação aberta. Para tal, analisamos possíveis ligações entre cinema e pedagogia educativa, e como podem surgir novos caminhos para a sua integração em contextos educativos, em linha com os novos paradigmas da aprendizagem. A revolução tecnológica digital fez emergir uma sociedade em rede, na qual as pessoas se veem como cidadãos ativos, construtores da inteligência coletiva, e não apenas consumidores passivos de uma cultura criada pelos outros. As pessoas interagem diariamente com os mais variados conteúdos digitais, numa espécie de tsunami mediático, com impactos no estilo de vida e no comportamento dos indivíduos, bem como na forma de aprenderem. Reconhece-se que as redes sociais tornaram-se os novos meios de difusão, com inovadoras possibilidades de interações, e o surgimento de novos dispositivos de comunicação no nosso quotidiano vieram revolucionar a forma como vivenciamos o audiovisual. Estas evoluções estão a transformar os modelos pedagógicos, dos quais emerge o movimento da Educação Aberta, ao qual se associam conceitos e práticas como o fenómeno dos Recursos Educacionais Abertos (REA). Importa então abordar estes conceitos, em articulação com as potencialidades do cinema enquanto meio educativo, à luz dos novos paradigmas da educação e do PNC. O cinema constitui-se como um dos mais completos modos de expressão cultural da sociedade industrial e tecnológica contemporânea e a sua relação com a educação é parte da sua própria história. Contudo, apesar de ser uma fonte rica de conhecimentos, nem sempre é assim entendido. É perante estas preocupações que o Plano Nacional de Cinema surge em 2012, sendo, atualmente, uma prática curricular em escolas de todo o país. Embora tenha sempre assumido um papel educacional na sociedade, o cinema encontra agora novas possibilidades e caminhos para intervir, contando com públicos participativos, que podem ser produtores de conteúdos audiovisuais no seu quotidiano. Estas novas formas de viver o cinema têm influência nas atividades desenvolvidas pelo PNC e reforçam os seus objetivos institucionais. Ou seja, além de visar a preparação do indivíduo para saber interpretar e compreender o cinema, também deverá contribuir para prepará-lo para ser um melhor consumidor/produtor/construtor do conhecimento fílmico. A nossa reflexão pretende também contribuir para a consolidação do enquadramento teórico do projeto de tese “Educação, Cinema e Redes Sociais: uma investigação sobre o Plano Nacional de Cinema”, acolhido pelo Centro de Investigação em Artes e Comunicação da Universidade do Algarve (CIAC), desenvolvido com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e integrado no plano de doutoramento em Média-Arte Digital (UAb e UAlg) do primeiro autor, sob supervisão científica das coautoras. Através do trabalho que temos vindo a desenvolver, em que se inscreve a reflexão aqui perspetivada, é possível concluir que na sociedade contemporânea o cinema continua a ter um grande potencial pedagógico, também porque é fácil apreender e compreender informações provenientes de estímulos audiovisuais. Neste contexto, o PNC desempenha um papel fundamental, nomeadamente como instrumento orientador para a comunidade educativa, promovendo estratégias metodológicas que permitam o pleno potencial do cinema. Defendemos, portanto, que a Educação (Aberta) e o Cinema (nomeadamente o PNC) têm uma relação reconhecida, desejável e promissora.

Palavras-chave: Educação aberta; Cinema; Plano Nacional de Cinema; Recursos educacionais abertos; Sociedade em rede.

Percepções dos docentes sobre plataformas sociais em educação Joana Souza (ESCS-IPL) & Adriana Cardoso (CL/UL)

O ensino remoto de emergência (Hodges et al., 2000), implementado em contexto de pandemia COVID-19, veio naturalmente acelerar os processos de digitalização  na educação. O Plano de Ação para a Educação Digital (2021-2027) – Reconfigurar a educação e a formação para a era digital, apresentado em 2020 pela Comissão Europeia, colocou em curso a transferência das práticas implementadas em contextos de ensino e aprendizagem para meios e plataformas digitais (Williamson, 2017). A urgência em encontrar soluções que permitissem implementar estratégias de ensino a distância, bem como a falta de alternativas de recursos e plataformas digitais desenvolvidas pelo setor público, facilitou a entrada em massa de produtos de software de e-learning desenvolvidos por empresas privadas.


Adjacente à transição digital e à utilização de plataformas digitais está a tendência para quantificar todos os aspetos relacionados com a interação dos utilizadores com as plataformas e com outros utilizadores, processo comummente designado por datification (van  Dijck & Poell, 2018). A recolha de dados em larga escala é o ponto de partida para posteriores mecanismos de análise que atuam numa lógica de bem privado, cujo objetivo é potenciar o valor de mercantilização dos próprios dados através da personalização de conteúdo, distribuição de publicidade direcionada ou transação de dados com terceiros.


Neste contexto torna-se importante (i) analisar em que medida está emergente uma reconfiguração do conceito de educação feita a partir da recolha, análise e processamento de dados em larga escala, (ii) rever o papel das instituições públicas para garantir a educação como bem público, (iii) refletir sobre potenciais cenários de convergência entre o setor público e privado dentro da União Europeia, para assegurar as necessidades inerentes aos processos de digitalização da educação, sem comprometer os níveis de qualidade do ensino e a autonomia das instituições de ensino.

Inscrevendo-se nesta problemática, encontra-se em curso o projeto Comunidade RED, um projeto promovido por uma equipa de investigadores do Instituto Politécnico de Lisboa. Este projeto tem como objetivo o desenvolvimento e a monitorização de uma plataforma digital, que visa consolidar em ambiente virtual, a comunidade de prática (Wenger, E. et al, 2002) que tem vindo a emergir no contexto da formação de professores na Escola Superior de Educação de Lisboa, em torno das práticas digitais na educação.


Nesta comunicação, propõe-se a apresentação de um estudo conduzido no âmbito do projeto Comunidade RED. O estudo assenta numa metodologia de base qualitativa, recorrendo à implementação de um processo de focus group (Krueger & Casey, 2009) e tem como objetivo avaliar a perceção dos docentes sobre as plataformas educativas que usam nas suas práticas, nomeadamente ao nível dos processos de recolha, análise e processamento de dados.

Hodges, C. B., Moore, S., Lockee, B., Trust, T., & Bond, M. A. (2000). The difference between emergency remote teaching and online learning. EDUCAUSE Review.

Krueger, R. A., & Casey, M. A. (2009). Focus groups: A practical guide for applied research (4th Ed.). Sage.

Van  Dijck,  J.  &  T.  Poell (2018).  Social  media  platforms  and education.  In The  SAGE Handbook  of  Social  Media,  579-591,  edited  by  Jean  Burgess,  Alice  Marwick  &  Thomas Poell. London: Sage.

Williamson, B. (2017). Big Data in Education. The digital Future of Learning, policy and practice. Sage Publishing

Wenger, E., McDermott, R., &  Snyder, W. M. (2002). Cultivating Communities of Practice. Harvard Business School Press.

Palavras-chave: Transição digital, Plataformas digitais, Datification na educação, Práticas digitais na educação.

Como desenvolver competências no ensino superior – Reflexão sobre o ensino experiencial nas Ciências da Comunicação Maria Alcina Velho Dourado da Silva (ESE-IPS)

Desde os primordiais esforços tendentes à criação da primeira licenciatura de Comunicação Social (CS) em Portugal em 1979 que as questões inerentes ao ensino da Comunicação e, em particular do Jornalismo, têm sido alvo de múltiplas discussões implicando, inclusive, o cumprimento de vários procedimentos por parte das instituições de ensino superior (IES) com vista à garantia da qualidade da oferta formativa – em particular desde a Declaração de Bolonha. Embora atualmente adopte diversas designações e abordagens, a oferta formativa ao nível da licenciatura em CS geralmente permite a formação de profissionais que tendem, já no mercado de trabalho, por enveredar por profissões associadas aos contextos abrangentes do Jornalismo ou da Comunicação Estratégica/Corporativa. A abordagem adoptada pelas IES tem incidido numa “tríplice competência do ‘comunicador social’” (Pinto, 1995) com maior pendor numa das vertentes, consoante se trate de instituições universitárias ou politécnicas. Atendendo aos modelos de formação (Marcial, 2005) a ênfase pode incidir, não só nos fundamentos da prática profissional (César, 2015), como em eixos de formação (Patrício, 2015). Geralmente, os recém-licenciados levam consigo uma formação de base que pode incluir uma experiência imersiva de estágio de modo a prepararem-se para a realidade que os espera. O estágio é, aliás, a tónica comum às várias licenciaturas, incluindo a primeira aprovada na Universidade Nova de Lisboa, à época um esforço para a afirmação dos profissionais do jornalismo através da formação (Mendes, 2011). Mas será o estágio a única via tendente à obtenção de competências hard, soft e transversais necessárias ao futuro profissional num contexto de aprendizagem experiencial (Kolb, 2015)? Após um breve levantamento verifica-se a existência de outras abordagens complementares ao estágio.

Este estudo adopta uma abordagem qualitativa recorrendo-se ao estudo de caso – selecionado por conveniência – com o objetivo de ilustrar a adopção de uma abordagem complementar ao Estágio no contexto da licenciatura em CS na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal (ESE | IPS): a Unidade Curricular (UC) Carteira de Competências. Com esta UC pretende-se que o seu público-alvo fundamental – os estudantes – realizem opções adequadas tendentes à valorização da experiência e conhecimentos obtidos em contextos não-formais e informais de modo a promover a autonomia, desenvolver competências e aproximá-los da profissão e do emprego (Rodrigues, Pereira, & Santos, 2017).

O foco principal reside na análise do percurso de um grupo amostral de estudantes de CS durante 3 anos procurando identificar quais as opções individuais tomadas quanto às actividades realizadas. Pretende-se, desta forma, determinar padrões ou tendências na tipologia das atividades escolhidas e na identificação das suas características principais não só intrínsecas, como extrínsecas.

Os resultados permitem concluir que as atividades tendem a distribuir-se pelas várias possibilidades (de natureza técnica/científica/profissional/artística e/ou social/cidadania) com destaque para as atividades a distância (especialmente no período abrangido pela Covid-19). Identificam-se algumas dissemelhanças no percurso dos estudantes dos campos do Jornalismo e da Comunicação Estratégica/Corporativa que podem ajudar a explicar a escolha dos estágios de cada um dos estudantes do grupo amostral. Conclui-se ainda que as atividades que complementam a formação técnica também são prevalecentes.

Palavras-chave: Competências; Ensino Superior; Ciências da Comunicação; Estudo de Caso.

Envolvimento de estudantes do ensino superior por meio de tecnologias de interação e estratégias narrativas Domingos Andrade (UA/Uni-CV)

A comunicação é um processo social indispensável para informar as nossas necessidades, a qual pode assumir várias formas, mas sempre com um mesmo objetivo comum, o de expressar e interpretar ideias. Todavia, o envolvimento dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem continua sendo baixo.  Isto é, poucos são os que se encontram efetivamente ativos nas aulas, contrastando com evidência científica de que os alunos que estão ativamente envolvidos na atividade de aprendizagem assimilam melhor a informação veiculada. Em grande medida, isto enfatiza a necessidade de mudanças, algo que acreditamos poder ser facilitado pela introdução de novas plataformas digitais no suporte ao processo de ensino aprendizagem.

Para o efeito, serão desenvolvidas experiências com mediação tecnológica em duas variantes: uma já testada, e para a qual existem várias ferramentas — ex. Slido — que permite o lançamento de perguntas avulso em momentos do processo expositivo; e uma segunda, inovadora, que pretende introduzir a forma narrativa — utilizando personagens, eventos e mundos — no processo de exposição, apoiando a contextualizando o mesmo.

Este contexto enquadra o desenvolvimento da presente investigação, que pretende perceber qual a relevância da interação por tecnologias narrativas, no envolvimento dos alunos do ensino superior.

Como principais resultados esperados, este trabalho pretende obter indicadores de envolvimento e analisar se a tecnologia de interação, suportadas em elementos narrativos, podem contribuir para um maior envolvimento dos estudantes.

Palavras-chave: Envolvimento, Sistema Resposta Estudantes; Elementos narrativos